Novos tempos, velhos hábitos. O mau costume de os vários agentes do poder tentarem controlar as movimentações/opiniões políticas com o silenciamento de alguns intervenientes, como aconteceu na última Assembleia Municipal, devia fazer-nos pensar. Se uma pessoa, grupo, partido ou associação é visada por uma crítica, ou até um elogio, devia-lhe ser dada a oportunidade de se defender… ou agradecer.

Antes, o ex-presidente Manuel Baptista e, depois, os eleitos do PSD, cortavam o pio aos vereadores do PS, mesmo que estes fossem o alvo das intervenções. Agora, o presidente Avelino Silva não deixou o vereador António Barros falar depois da governação socialista de Tinoco de Faria ter sido visada. E a bancada ‘laranja’, como de costume, alinhou pela mesma bitola e deixou o vereador a falar para os botões.

O PSD continua a achar que os povoenses apreciam esta postura, acreditando que sustentarão as suas propostas junto do eleitorado escondendo o palco aos socialistas. Para mim, não há um povoense satisfeito com este modo de atuar. Pode, isso sim, haver alguns povoenses, eleitos nas listas do PSD, que se remetem ao silêncio porque não podem falar.

Talvez o meu lado mais ingénuo me tenha feito acreditar que neste concelho as coisas iriam mudar. E recordo-me das belas palavras proferidas pelo presidente da Câmara, Avelino Silva, no discurso de tomada de posse. E até gostava de saber o que acha João Duque, presidente da Assembleia Municipal, de tudo isto.  Retórica. Tudo retórica. O que sei, e a realidade comprova-me isso mesmo, é que independentemente dos protagonistas, esta é uma doença que afeta quem governa. O poder político, em vez de ser a capacidade/direito de se realizar algo para os outros, é um corpo estranho que se entranha e molda as pessoas para uma vida sem grande sentido prático.

Há protagonistas da história deste concelho que continuarão a ser falados pelas suas ideias, pelo seu trabalho, pela sua forma de estar e servir o próximo e a causa pública. Outros há que só são falados porque estão no poder. No dia seguinte à sua sucessão já ninguém se vai lembrar do seu nome. Alguns só deixarão de ser falados quando alguém se lembrar de calar os povoenses. E isso, para tristeza de alguns, ninguém conseguirá fazer.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here