O presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso inaugurou uma nova forma de fazer política, ao servir-se do seu cargo para, em plena reunião de câmara, na presença dos jornalistas (convocou-os para esse efeito), denunciar alegadas ilegalidades na construção da habitação que o líder da oposição, o socialista, Frederico Castro, mandou construir em Monsul. Ora, quando um assunto de um munícipe, bem cozinhado pelo PSD, serve para ser a nota dominante de uma reunião de câmara, a primeira depois das férias ‘grandes’, então algo de muito importante estaria para vir. E veio. O enxovalho público de Frederico Castro obrigou-o a vir a terreiro explicar que a identificação de uma irregularidade fez com que ele próprio e a empresa responsável pela empreitada parassem a obra e avançassem com um pedido, já efetuado, junto da Reserva Agrícola Nacional a solicitar parecer prévio para a utilização não agrícola da área integrada em RAN, tendo também decidido que, numa fase posterior à aprovação da RAN, será apresentado no Município da Póvoa de Lanhoso o pedido de licenciamento das alterações em causa.

Ora, apesar de todo este alarido, Frederico Castro, mais do que qualquer outro povoense, e com a mesma obrigação suplementar de todos os outros cidadãos que ocupam cargos políticos, deve empenhar-se em resolver este assunto o mais rápido possível. O líder da oposição tem ainda margem para apresentar a sua defesa e, obviamente, corrigir alguma irregularidade que, porventura, possa existir na construção em causa. Mas uma irregularidade não é uma ilegalidade. E é precisamente aqui que reside a má postura política de quem decide tornar público um caso, convocando os jornalistas para este circo mediático onde uns servem de bobos, e outros aplaudem. Este cenário é típico das democracias doentes, onde o poder é exercido por protagonistas que vagueiam pelo fio da navalha e, como se percebe, não se olha a meios para se atingirem os fins. Mas tudo isto é imensamente perigoso para quem tem telhados de vidro ou, como é o caso de algumas figuras da nossa praça, já nem telhados têm porque há muito que os vidros já foram partidos.

Já em 2017, no pico da disputa autárquica, Avelino Silva, na altura candidato do PSD à Câmara, quis lançar a ‘pseudo-bomba’, mas Manuel Baptista, experiente nestas andanças, mandou arrumar o assunto porque, bem sabemos, nunca ganhou eleições ou combates políticos à custa de lutas pessoais. Isso é sinal de inteligência e postura/sapiência política. Por isso ganhou três vezes e ajudou Avelino Silva a ganhar a quarta.

Mas este assunto vem agora à baila porque a Avelino Silva e ao PSD da Póvoa de Lanhoso interessa afastar as atenções das recentes visitas da Polícia Judiciária à Câmara Municipal. Em causa, negócios com empresas ligadas ao PSD, cujos contratos fictícios serviram, alegadamente, para pagar quotas dos militantes laranjas, ou então, possíveis favorecimentos a pessoas ou empresas em concursos públicos, ora para obras, ora para contratação de pessoal.

E no meio de todo este cenário, em que se percebe com clareza que a inteligência política não assiste e alguns protagonistas da nossa praça, vem Luís Amaro da Costa, essa sumidade da política povoense, pedir a demissão do vereador do PS na autarquia. Ora, o líder do PSD tem todo o direito de pedir o que quiser. Até pode pedir a demissão do padre de Verim que, no domingo passado, se enganou a ler uma das intenções da missa. E até percebo que este caso que envolve a construção da habitação de Frederico Castro possa ter, do ponto de vista político, assunto para uns dias/semanas de discussão. Mas Luís Amaro da Costa tem que ser coerente, não se pode comportar como um homem das cavernas que aparece, de cabelos longos e barba pelos joelhos, a lançar teorias sobre e vida sexual dos crocodilos nas margens do rio Nilo. Isso é ridículo e faz com que os povoenses não o levem a sério. Aliás, Manuel Baptista, enquanto presidente da Câmara, afirmou em duas reuniões de câmara públicas, na presença de jornalistas, que não precisava de Amaro da Costa para nada, isto a propósito das informações que obtivera sobre os problemas da água em Ferreiros que envolveram a Braval. Baptista disse que estava no terreno e que não precisava do então vogal no Conselho de Administração (nomeado pelo PSD e avençado em mais de 1000 euros mensais) para identificar e resolver o problema.

Luís Amaro da Costa é o mesmo que aquando da instalação da Braval na Póvoa de Lanhoso, liderou um movimento contra a instalação do aterro sanitário no nosso concelho e rasgava as vestes publicamente em protesto por esta decisão! Hoje, é membro do conselho de administração em representação do município da Póvoa de Lanhoso. Talvez tenham sido os mil euritos por mês que recebe que o tenham sensibilizado para as ‘mais valias’ do projeto Braval.

Deste modo, e reclamando junto de Luís Amaro da Costa a coerência a que está obrigado pelos cargos que desempenha, gostava de lhe lançar algumas questões:

– por onde andava Luís Amaro da Costa para não pedir a demissão do então presidente da Câmara Municipal quando Manuel Baptista foi constituído arguido pela falsificação de um visto do Tribunal de Contas?

– por onde andava Luís Amaro da Costa para não pedir responsabilidades políticas a Avelino Silva quando este foi associado a um alegado esquema na atribuição dos seguros da Câmara Municipal, teia essa que ainda persiste e parece não ter fim à vista?

– por onde andava Luís Amaro da Costa para não pedir responsabilidades políticas a Avelino Silva quando este, alegadamente, ganhou o concurso dos seguros na Santa Casa da Misericórdia, prometendo um donativo anual de cerca de mil euros (isso está escrito em ata e foi tornado público por um dos mesários) e nunca entregou um cêntimo à instituição?

– por onde andava Luís Amaro da Costa para não pedir a demissão do já presidente, Avelino Silva, e Manuel Baptista, vereador com o pelouro da Gestão Urbanística e Fiscalização, que são suspeitos de favorecimentos em concursos públicos para a contratação de quadros superiores para o município?

– por onde andava Luís Amaro da Costa para não pedir a demissão do então presidente da Junta de Freguesia de S. João de Rei quando todos sabiam das irregularidades/ilegalidades com que estava a ser gerida aquela autarquia nos últimos três/quatro anos?

– por onde andava Luís Amaro da Costa para não pedir a demissão do vereador André Rodrigues quando este foi associado aos negócios com a AmbiGold, que até motivaram as buscas da PJ aos Paços do Concelho?

Luís Amaro da Costa, ande por onde andar, tem todo o direito de pedir… seja o que for. Muito mais se isso contribuir para os sucessos políticos do PSD na Póvoa de Lanhoso. Só não se pode esquecer é que há povoenses que percebem muito bem de onde alguns vieram… e para onde foram.

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